"O mal nunca morre!"

Vermis Mortem a todo vapor!

entrevista

05 outubro, 2024

Ian LIMUWZ

Saudações, caros leitores do Mira. hoje temos aqui mais uma entrevista, dessa vez com a cavernosa banda de Black Metal Vermis Mortem, de Salvador/BA, em meio a dois lançamentos recentes, sendo eles o EP “Stillborn Rebirth”, lançado de forma independente nas plataformas digitais, e finalmente o seu primeiro full, o “…of the Occult”, ambos neste ano de 2024, após pouco mais de uma década de existência. E, para encabeçar essa entrevista, eu conversei com Marcelo the Evil One, vocalista/baixista da banda, pelo qual os demais membros respondem o que lhes foram pertinentes.

1) Salve Marcelo e Vermis Mortem! Obrigado por participarem, e, para começar, faça uma apresentação desse novo lançamento inédito intitulado “…of the Occult”, como o formato material, quantidade de músicas, temática, proposta, produção etc.

Hail Ian, uma satisfação estar dando essa entrevista! Finalmente estamos lançando o “…of the Occult”, vai ser lançado em CD e em todas as plataformas de streaming, já tem alguns anos que estávamos trabalhando nesse álbum, mas finalmente achamos nosso caminho para fazer as coisas do nosso jeito, isso sempre foi muito importante pra gente e posso dizer que fiquei bem satisfeito com o resultado. O álbum conta com 8 músicas e 1 intro, os temas são envoltos em ocultismo, anticristianismo, uma grande imersão nas trevas, são músicas que tem grande influência da velha escola em sua composição, nossas influências sempre foram muito variadas então não é como se fossemos seguir um caminho pré-estabelecido, agora como grande parte das músicas que estamos lançando e que ainda vamos lançar, são músicas que foram compostas há muitos anos, mas claro atualizadas e lapidadas para o atual momento em que estamos como banda, a banda tem um saldo de composição gigantesca, e acredito que agora que temos mais autonomia quanto a produção e desenvolvimento desses trabalhos acredito que teremos lançamentos com maior constância.  Gravamos as cordas em casa e o restante em estúdio, todo trabalho de áudio foi feito pelo nosso guitarrista Alexandre, todo conceito visual foi desenvolvido por mim, as letras e composições são maior parte minhas, mas trabalho junto com Alexandre em todas elas até o resultado final, temos uma boa dinâmica para compor nossas músicas, gostos muito parecidos e isso facilita bastante em todo processo até chegar de fato em uma gravação. Nesse álbum, assim como no EP que lançamos, o “Stillborn Rebirth”, o responsável pela gravação do baixo foi Caio, já que o mesmo também é baixista, eu gravei apenas as vozes.

2) Vi que o lançamento de “…of the Occult” foi uma parceria entre Abismo Metal Store, Brutalle Records, Sangue Underground, Storm Atoom Records e Discodelia. Conte como se deu essa parceria e um pouco sobre esse processo de lançamento.

Eu conheci o Anderson da Abismo Metal Store ano passado através de amigos em comum, cara gente finíssima, então começamos essa grande parceria para os lançamentos que estávamos planejando fazer, outros selos aderiram a esse lançamento e estamos com expectativa que o material rode bastante como outros que lançamos. Como falei, o lançamento inicialmente vai ser mídia física em CD, e temos preparado alguns vídeos para compor o conceito e divulgar o “…of the Occult”.

3) Voltando um pouco na discografia da banda, vocês lançaram o EP “Stillborn Rebirth” – com as músicas do split “Southern Evil” – no início deste ano de 2024, de forma completamente independente no formato digital. Pode nos contar sobre esse lançamento e se ainda há planos para ele?

Estávamos muito ansiosos para lançar o “…of the Occult”, o disco estava sendo mixado por outra pessoa, e acabou demorando mais do que deveria, o resultado não ficou em acordo com o que queríamos pro disco, então nesse meio tempo de espera o Alexandre falou pra mim, “Cara, o que acha da gente regravar todas nossas músicas da demo e split, e lançar nos streamings”, então eu falei, “ok, mas acho que devemos dar mais 2 músicas inéditas”, e assim gravamos nosso EP Stillborn Rebirth, que teve uma boa recepção e deu um gostinho do que estamos aprontado para lançamentos futuros. Muita gente tem cobrado material físico desse EP, e muito provavelmente devemos lançá-lo em mídia física após o “…of the Occult”.

4) Marcelo, eu vi que você fez todas as capas da Vermis Mortem – incluindo a do split com os peruanos da Enygma – e os incríveis vídeos também, além de capas para bandas como Malefector, Behavior, Paradise In Flames entre outras, visto que esse tipo de trabalho é a sua profissão atual. Nos fale um pouco sobre isso e aproveite para divulgar o seu trabalho e explicar como funciona o processo com as bandas para quem deseja te contratar.

Eu sou formado em Design Gráfico, trabalho na área há muitos anos, mas sempre trabalhei mais no meio corporativo, paralelo a isso sempre tive como hobbie fazer arte gráfica para bandas, fiz muitos trabalhos durante esses anos para muitas bandas, mas de uns 2 anos pra cá eu investi um pouco mais de tempo e energia nisso, porque sempre foi muito prazeroso pra mim fazer esse tipo de trabalho, então eu desenvolvi o The Dark Side em parceria com minha esposa Vivian Rosa e expandimos bastante esse atendimento, no Brasil e no mundo todo, e posso dizer que estou mais ativo do que nunca fazendo esses trabalhos. O contato pode ser feito no nosso instagram @thedarkside.art.

5) Pude notar também que, entre o split “Southern Evil” e o EP “Stillborn Rebirth”, a banda lançou apenas o single “Inhuman Enttities”, em 2018. Isso se deu ao fato de que a Vermis Mortem era mais um projeto de estúdio antes de se consolidar como banda completa e ativa? Quando começou e como foi esse processo de desenvolvimento da Vermis Mortem?

Quando a banda começou em 2013 era apenas eu e Alexandre, e de fato quando lançamos nossa demo a ideia era apenas ser um projeto de estúdio, mas gostamos muito de tudo que fizemos, tivemos uma excelente receptividade na nossa demo, fizemos nosso primeiro show no Evisceration Metal Fest com grandes bandas nacionais e isso nos motivou a seguir de uma outra forma, procuramos pessoas com igual afinidade para compor a banda e são elas que estão até hoje na formação da banda. O Vermis Mortem iniciou muito ativa, fizemos bons shows, mas nesse meio tempo eu me mudei de estado, fui morar em Aracaju, e tive que equilibrar minha vida pessoal e as atividades da banda, muitas coisas aconteceram e foi bem difícil fazer com que as coisas fluíssem como antes, não só pela distância, mas por todo tipo de problemas que passei, então foi uma época que a banda ficou mais parada. Parada entre muitas aspas, porque as composições nunca pararam de acontecer, compor música extrema sempre foi meu principal prazer.

6) E, por falar em formato da banda, talvez alguns não saibam, mas, apesar da banda ser de Salvador, você, Marcelo, mora em Aracaju-SE já há algum tempo, e, mesmo assim, a banda tocou ao vivo recentemente na sua cidade natal. Como tem sido a rotina da banda (composição, ensaios etc.) e como vocês a fazem funcionar nessa condição?

No começo foi um pouco difícil como havia comentado antes, eu estava acostumado a estar sempre em estúdio tocando com o pessoal e isso ficou mais espaçado, então a banda ensaiava sem mim e eu ensaiava sozinho em casa, basicamente eu ia antes de qualquer show pra salvador onde a banda fazia alguns ensaios em sua formação completa, tem que ter uma certa disciplina pra isso funcionar bem, mas acho que todos nós fazemos isso com paixão e dedicação pela coisa, então foi uma adaptação natural pra mim.

7) Devo dizer que conheci a Vermis Mortem muito brevemente no Evisceration Metal Festival lá em 2014 (em meio a cerca de 30 bandas, ao todo), e tornei a revê-los mais efetivamente em 2016, num evento em que vocês tocaram com o Bölzer (Suíça), Grave Miasma (Reino Unido), Escarnium e Deformity BR (ambas da Bahia), um cast de peso e difícil de ser equiparado num evento à altura hoje em dia, visto que todas essas bandas são realmente incríveis. Como foi o convite para tocar nesse evento de 2016 e como tem sido a atividade ao vivo da banda desde então? Tem aparecido mais convites?

Esse show foi inesquecível, revi muitos amigos e pude ver o show e dividir palco com bandas que eu admiro muito, já era alucinado pelo som do Bolzer e Grave Miasma, realmente é uma linha de som que gosto bastante, a Escarnium e Deformity BR são bandas excelentes e que tem muita história, antes do convite acontecer eu já tinha me escalado pra estar lá de qualquer jeito hahaha, mas quando o convite chegou foi algo realmente que me deixou muito empolgado! A banda nunca foi de fazer muitos shows, eu particularmente sempre estive mais empolgado pra compor, gravar que tocar ao vivo, mas quando acontece é algo prazeroso e espero que aconteça com maior frequência. Depois desse show a banda diminuiu drasticamente suas atividades no geral, mas retomamos esse ano com força total, e claro, temos intuito de fazer mais shows.

8) Agora, partindo para a música, embora o gênero da banda geralmente seja definido como Black Metal, eu acho o som de vocês um tanto peculiar, com uma pegada tanto de som meio Old School Death Metal, mas sem ser “Death Metal”, necessariamente, bem como de Black/Thrash, porém sem sê-lo unicamente também. Como vocês descreveriam o som da Vermis e aproveite para nos falar um pouco das influências que vocês exercem naturalmente.

Cara, às vezes é difícil definir seu som, ainda mais quando há tantas influências em diferentes aspectos, eu sempre ouvi muito Bathory, Celtic Frost, Venom, Darkthrone, Sodom, Death, Morbid Angel, etc,  sempre estive entre o Black Metal e o Death Metal, e claro que isso moldou e influenciou o que nos propomos a fazer, mas acho que o Vermis Mortem nunca foi uma banda do tipo, quero soar como “tal banda”, sempre buscamos seguir nosso caminho, ouvindo nossa velharia e o resultado tem sido algo bem misturado.

9) E por falar em Black Metal, desde que conheci a banda naquele citado show, vejo que vocês não utilizam o tradicional corpse paint, como a maioria das bandas do gênero. Há algum motivo específico para não aderir a esse visual? Como foi essa definição da estética da banda?

Eu acho que essa estética do corpse paint não tem nada a ver conosco e com nossa proposta visual e musical, apenas. Eu particularmente gosto desse visual, acho foda, mas não para o Vermis Mortem. Às vezes usamos maquiagem preta nos olhos, mas não é uma regra.

10) Em entrevistas anteriores, pude constatar que outras bandas do nosso cenário tiveram ou ainda têm bastante dificuldade para firmar uma formação completa de uma banda funcional. Dito isso, uma outra peculiaridade que não pude deixar de notar na Vermis Mortem é justamente a já longa duração de uma mesma formação por quase 10 anos seguidos, se eu não estiver equivocado… Como isso tem sido possível? Ao que você atribuiria essa plenitude que está ficando um tanto incomum nos dias de hoje?

Cara, realmente, isso é bem raro. Todos nós fazemos parte ou já fizemos parte de outras bandas, que sempre mudaram de formação, e acho isso bem normal, frente que as pessoas mudam, se desentendem, e seguem caminhos diferentes como em qualquer relacionamento humano, mas acho que as relações que perduram são aquelas que tem afinidade, leveza e o compartilhar de paixões, acredito que essa regra funcione pra banda, relacionamento pessoal etc.

11) Apesar de estar lançando 2 álbuns num mesmo ano, sei que a Vermis Mortem não deve parar por aí. Como se encontra o atual momento da banda e quais os planos futuros?

Como falei anteriormente, essas pausas não foram bem uma pausa total, rendeu muita composição, um saldo de música gigantesco, com muita pré-produção alinhada e no novo formato em que estamos produzindo e gravando nossas músicas, vamos conseguir desenvolvê-las com maior facilidade. Estamos planejando alguns splits com algumas bandas para lançar em 2025, e devemos entrar em estúdio em janeiro iniciar novas gravações.

12) Outro fator diferencial na Vermis Mortem são os videoclipes, produções não tão usuais assim no underground, a meu ver, seja por motivos específicos como recursos financeiros, ou por uma questão mais abrangente, como determinados tipos de postura, ideologia etc. Dito isso, qual a visão de vocês sobre isso? O intuito seria o dito “engajamento” ou é muito mais que isso? Alguma inspiração em particular?

Cara, eu sempre gostei de vídeos, de assistir shows de bandas que gosto, videoclipes etc. Eu sou curioso e dentro da minha área eu faço diferentes trabalhos, e vídeo é um deles, então uso de toda liberdade criativa para fazê-los, pra mim vídeo é uma extensão da música, do conceito da banda, e acho válido explorar esses recursos para trazer através de outra linguagem visual o que a música transmite.

13) Marcelo, Vermis Mortem, quero vos agradecer mais uma vez pelo tempo dedicado ao Mira para realizarmos essa aguardada entrevista. O espaço para considerações finais e para divulgar outros trabalhos é completamente livre. E, como de praxe, quero propor o seguinte: caso considerem, indiquem materiais em potencial para serem resenhados aqui, bem como bandas/músicos/artistas/produtores em geral etc. para serem entrevistados pelo Mira, e, como Rafael da Inside Hatred bem fez, não se limitem a dois ou três, listem quantos quiserem.

Pra mim foi uma honra conceder essa entrevista ao Mira Underground, longa vida a esse trabalho foda que estão fazendo. Bandas que poderia citar que são da minha terra, God Funeral, Behavior, Morbid Pervesion, Ad Baculum, Rottenbroth, bandas mais antigas como Eternal Sacrifice, Malefactor, Headhunter D.C., etc, eu tenho orgulho de dizer que o metal baiano é foda pra caralho! Um grande Hail a todos aqueles que acompanham o Vermis Mortem e vivem o underground, muito mais estar por vir, “O mal nunca morre!“.